Sabe o que são as alergias?

A alergia é uma resposta exagerada do nosso organismo quando contacta com alguma partícula que lhe é “estranha”. A maior parte das pessoas tolera esse tipo de contacto, mas há algumas que desenvolvem uma resposta de defesa para tentar eliminar essas partículas. Trata-se de um tipo específico de inflamação que, por ser desadequada em termos de intensidade, acaba por dar manifestações diversas. Essas partículas podem ser de diferentes tipos, sejam alimentares, ambientais (pólens, por exemplo) ou microrganismos (ácaros, por exemplo).

De um modo geral, o risco de uma criança ser alérgica é maior quando existem familiares directos também com alergias, ou seja, quando existe uma predisposição genética para se desenvolver essa resposta exagerada. De qualquer forma, não é obrigatório que isso aconteça, pois há crianças alérgicas que não têm nenhuma história familiar de situações semelhantes. No entanto, se o pai ou a mãe tiverem alergias, a probabilidade de um filho vir a sofrer do mesmo problema é de 40% e, se forem ambos afectados, esse risco sobre para 60-80%.

De um ponto de vista prático, as alergias podem ser diversas consoante os órgãos que são mais afectados ou então consoante a sua causa.

Relativamente aos órgãos, podemos classificá-las de forma resumida em alergias:

  • Cutâneas (na pele)

É o modo de apresentação mais habitual nos primeiros meses de vida. Pode surgir, essencialmente, como dermatite atópica ou urticária. A dermatite atópica diz respeito a uma pele que é caracteristicamente seca e que pode desenvolver áreas descamativas, vermelhas e que provocam muita comichão (eczemas). A urticária manifesta-se como sonas de pele vermelha, geralmente elevadas em relação à pele normal (parecem “placas”) e que habitualmente se acompanham também de comichão.

  • Oculares (nos olhos)

A conjuntivite alérgica é caracterizada por olhos vermelhos e que causam muita comichão. A distinção com a conjuntivite infeciosa faz-se essencialmente pela presença de secreções oculares, muito frequentes nesta última, mas raras na conjuntivite alérgica.

  • Respiratórias (rinite e asma)

A rinite diz respeito ao atingimento do nariz pelas alergias, causando espirros, nariz obstruído (sempre com “pingo”) e comichão significativa. A asma surge quando os brônquios são afectados e manifesta-se essencialmente por crises de falta de ar, chiadeira e tosse. É frequente a coexistência destes dois tipos na mesma criança.

  • Gastrointestinais (no estômago e/ou intestinos)

É talvez o quadro mais difícil de diagnosticar, pois as manifestações são pouco específicas de doenças alérgicas. Podem surgir vómitos, diarreia, dor de barriga ou sangue nas fezes quando uma criança ingere algum alimento a que é alérgico, pelo que o índice de suspeita deve ser elevado nessas situações.

  • Generalizadas (anafilaxia)

Esta é a forma mais grave e que pode, inclusivamente, colocar em risco a vida da criança. Diz respeito a uma activação difusa do organismo, o que pode comprometer algumas função vitais, nomeadamente a respiração.

Estes diferentes tipos podem existir ao mesmo tempo numa mesma criança ou então haver uma espécie de “progressão”, em que as alergias da pele evoluem para rinite alérgica e, posteriormente, para asma.

Em relação à causa, os dois principais grupos são:

  • Alergias alimentares

São mais frequentes nos primeiros anos de vida e a maioria tem tendência a passar com o tempo (são pouco frequentes acima dos 5 anos). Claro que há algumas que se mantêm, mas a maior parte vai diminuindo à medida que a criança cresce.

  • Alergias ambientais

As alergias às partículas ambientais (ácaros e pólens, por exemplo), têm mais tendência a permanecer durante toda a vida, pois não é esperado que desapareçam por si. No entanto, há algumas vacinas para esse tipo de partículas que podem e devem ser utilizadas em casos seleccionados e que têm como principal vantagem mudar o curso natural da doença, ou seja, fazer desaparecer os sintomas decorrentes de uma determinada alergia. De qualquer forma, é um tipo de tratamento dispendioso e prolongado (3-5 anos), que deve ser sempre adequado a cada caso e que carece sempre de uma cuidada avaliação médica.

 

(Texto escrito por mim para o site da Revista Visão)

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