Novo coronavírus (COVID-19): Consciência social precisa-se (urgentemente)!


A infecção pelo novo coronavírus (COVID-19) foi hoje reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como pandemia global. Esta definição tem por base o facto de este vírus atingir mais de um continente, facto que se verificava já há algumas semanas. Um pouco por todo o Mundo, os casos de infecção estão a aumentar de forma muito significativa e, como seria de esperar, esse é o cenário também em Portugal. Não é preciso pânico nem alarmismos desnecessários, mas é importante medir bem as consequências das nossas decisões, pelo impacto que podem ter em nós e nos outros.

As medidas de isolamento social vão-se multiplicando e, numa fase inicial da infecção, são extremamente importantes de cumprir, para tentar conter a transmissão do vírus. No entanto, infelizmente ainda se verifica algum desconhecimento e/ou relutância em relação ao cumprimento dessas regras, o que condiciona de forma dramática o sucesso das mesmas. Por esse motivo, é imprescindível reforçar a ideia de que todos nós temos que ter consciência social e perceber que, ao desrespeitar as recomendações, estamos a colocar em risco a saúde e a vida de muitas pessoas.

Eis alguns mitos que importa desconstruir:

  • “Eu não tenho medo do coronavírus, não pertenço a um grupo de risco”

É verdade que os grupos de risco são as pessoas idosas e com doenças crónicas, mas não nos podemos esquecer que a infecção atinge todas as faixas etárias. Para além disso, mesmo não pertencendo a um grupo de risco, a probabilidade de contagiar os outros é muito elevada e os pais, avós, tios ou outros conviventes podem e serão certamente atingidos. A única forma de proteger os grupos de risco é impedindo a propagação e reforçando as medidas de prevenção definidas pela Direcção-Geral da Saúde (VEJA AQUI)

  • “A gripe mata mais”

Não é verdade! A mortalidade pelo coronavírus é mais elevada, ainda que apenas ligeiramente. Para além disso, a contagiosidade é também maior, pelo que não podemos subvalorizar esta infeção.

  • “Já tinha a viagem paga”

Ir para locais de risco é, neste momento um acto de egoísmo. Egoísmo, porque as pessoas se podem contagiar a elas próprias e egoísmo, porque podem contagiar os outros. Mesmo com as viagens pagas, ir para zonas de risco é facilitar em relação à sua saúde e em relação à saúde de todos nós!

Por fim, gostaria de realçar a ideia de que QUARENTENA NÃO SÃO FÉRIAS!

Estar de quarentena ou sob medidas de isolamento social não significa estar apenas sem trabalhar. Implica ter cuidados numa possível transmissão do vírus, pelo que andar em espaços públicos fechados ou locais onde existam aglomerados de pessoas é profundamente errado! Se estiver de quarentena não deve ir ao shopping, café, cinema, festas ou outros locais onde o risco de contágio é mais elevado. É imprescindível que se perceba isto, de uma vez por todas!

Ler os relatos dos médicos italianos é profundamente arrepiante e de uma angústia enorme. Para quem não sabe, em Itália já não conseguem tratar toda a gente, por falta de meios (sim, os meios não são infinitos!), portanto estão actualmente a ter que escolher os doentes que vão tratar e os que não vão. Como médico, esse é um cenário que me deixa completamente transtornado só de imaginar. E, o pior, é que é algo real, que está actualmente a acontecer na Europa, num país como o nosso (e não num país subdesenvolvido, sem meios adequados).

Eu entendo perfeitamente que muitas destas medidas têm um grande impacto no dia-a-dia das famílias, mas o dever cívico de todos nós tem que falar mais alto. E, apesar de tudo, se conseguirmos cumprir o que nos compete, podemos afirmar orgulhosamente que fomos parte da solução e não parte do problema!

Seguir as recomendações das entidades de Saúde Pública e Sociedades Científicas é fundamental, porque são as únicas competentes para dar indicações. Chega de frases como “eu acho que”, “na minha opinião” ou “para mim não é bem assim”, vamos de uma vez por todas zelar uns pelos outros, porque só assim conseguiremos evitar uma situação que pode ser desastrosa.

Todos nós desejamos que a vida volte ao normal o mais rapidamente possível, e isso vai acontecer, sem dúvida! Mas se todos ajudarmos, ela vai voltar ainda mais cedo e esse deve ser o nosso maior propósito agora!

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