Creches e jardins de infância vão reabrir: e a infecção pelo coronavirus (COVID-19)?


 

Nos últimos tempos têm-me colocado muitas questões sobre a possível reabertura das creches, jardins e escolas neste contexto actual.

Apesar de ainda não haver nenhuma posição oficial do governo, esse cenário é cada vez mais provável, pelo que me parece que faz sentido ter alguns aspectos em consideração, particularmente do ponto de vista das crianças, dos pais e da sociedade em geral. Esta situação da infecção pelo novo coronavírus (COVID-19) veio para ficar e, até termos uma vacina disponível (o que levará, na melhor das hipóteses, meses a acontecer), o risco desta infecção é e vai continuar a ser real, pelo que têm que se encontrar soluções que permitam um equilíbrio entre a saúde pública e as necessidades económicas da população. Passo a explicar melhor o que quero dizer:

  • Crianças

Sempre que possível, faz sentido que se mantenham em casa se isso for exequível, principalmente nos primeiros tempos. Isto, porque no início vai haver um período de adaptação e, se pudermos minimizar a exposição das crianças (e, consequentemente, dos seus familiares) será benéfico para todos. No entanto, quando isso não for possível, as crianças devem retomar as suas actividades, desde que as creches e jardins garantam alguma segurança e minimizem o risco de contágio. Já sabemos que será impossível impedir que as crianças partilhem brinquedos e contactem umas com as outras, portanto também não acho que isso seja uma obrigação. No entanto, pode-se (e deve-se) tomar algumas medidas, tais como reduzir o número de crianças por sala, por exemplo, sempre que tal seja possível.

Apesar de ser algo fundamental do ponto de vista familiar (para avós e netos), o contacto das crianças com os avós deve continuar a ser muito limitado, pelo menos nas primeiras semanas, para se poder avaliar o real impacto destas medidas na transmissão do vírus. Isso é algo que deve ser reforçado e cumprido escrupulosamente!

  • Pais

Com o reiniciar das actividades económicas, os pais voltarão gradualmente ao trabalho e, como é lógico, será necessário que as crianças também voltem às escolas. Mais uma vez, é extremamente importante que, mesmo no local de trabalho, sejam mantidas as medidas de prevenção que tão difundidas foram-nos últimos tempos.

  • Sociedade

Ninguém tem dúvidas de que é insustentável manter todas as actividades fechadas durante meses e meses a fio. No entanto, também é importante perceber que os bons resultados que Portugal tem apresentado não se devem ao facto de o vírus ser mais “simpático” connosco. São, isso sim, o reflexo das nossas atitudes e da forma como os portugueses acataram as recomendações e as seguiram de forma exemplar. Por isso mesmo, quando as actividades económicas forem recomeçando aos poucos é FUNDAMENTAL manter os cuidados que tivemos até aqui, ou seja, lavar frequentemente as mãos, manter uma adequada higiene respiratória, evitar os contactos sociais que não estritamente necessários, manter uma distância social de 2 metros no dia a dia e ter o cuidado de ventilar frequentemente os espaços fechados. (Clique aqui para ver o artigo  )

Apesar de ainda não ser uma recomendação formal, no meu entender deve-se ainda generalizar o uso das máscaras, sendo necessário apenas reforçar que devem ser bem utilizadas, segundo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (atenção à lavagem das mãos depois de tocar na máscara!). Não tenho dúvidas de que só assim conseguiremos manter o que nos custou tanto a construir!

Como médico, confesso que sinto alguma insegurança com este levantamento de medidas, mas também entendo que é algo que teria que acontecer em algum momento. De qualquer forma, deixo aqui um apelo sincero: Por favor, continue a fazer a sua parte para que nosso país se mantenha orgulhosamente como um bom exemplo a nível Mundial!

 


 

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