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Os vírus e as cegonhas

Hugo Rodrigues por Hugo Rodrigues
Novembro 4, 2021
em Crónicas
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Nesta primeira crónica do site Pediatria para Todos, decidi abordar um tema com que nos temos deparado todos os dias nos últimos meses e que tem moldado a nossa atividade profissional. Ao ler o título, pode ficar com uma expectativa errada, mas aviso já que não vou falar de natalidade e dos possíveis efeitos do confinamento nesse campo!

Este ano de 2021 fica marcado, inevitavelmente, pelo início da vacinação e, como consequência, pelo levantamento de algumas medidas que duravam já há largos meses. O resultado foi, como é lógico, um aumento progressivo do contacto entre as pessoas e, do ponto de vista pediátrico, um aumento da taxa das doenças infecciosas típicas da infância.

O que não se esperava (ou esperava?) era que, ao longo de todo o ano, as doenças surgissem de forma pouco “regrada”, ou seja, sem a sazonalidade a que estávamos habituados. Passo a explicar…

Todos os pais sabem que, na era pré-COVID, a nossa prática profissional era pautada pelo chamados “picos” de doenças. Isto significava que, quando começavam a surgir as primeiras bronquiolites (novembro/dezembro), era o que víamos durante algumas semanas ou meses na maioria das crianças que adoeciam. O mesmo se passava com as gastroenterites, por exemplo (1 pico no verão e outro no inverno), com a varicela, com as amigdalites, com as pneumonias e, no fundo, com a maior parte das doenças pediátricas. Isto deve-se ao facto de serem todas doenças infecciosas, ou seja, provocadas por vírus ou bactérias e que se transmitem entre pessoas. E a questão é mesmo essa…

Os microorganismos não voam ou saltam, eles passam de umas pessoas para as outras através de goticulas respiratórias ou do contacto direto com secreções, superfícies ou objetos contaminados. Como a preferência da maior parte deles (particularmente os agentes respiratórios) são as temperaturas mais frias, estes microorganismos aproveitavam essa transmissão entre pessoas para se deslocar em conjunto com as massas de ar frio, pelo que eram bem mais frequentes nos meses de outono e inverno no nosso país.

Mas, no ano passado surgiu algo que mudou radicalmente esta história natural: a pandemia da COVID-19 e as consequentes medidas de contenção (máscaras, distanciamento social, higienização das mãos, etiqueta respiratória, …). Isto fez com que estes vírus e bactérias deixassem de circular da forma habitual e isso refletiu-se nas baixas taxas de doença “não-COVID” observadas. Ora, como é lógico, tudo isso teria um preço a pagar e, neste ano, essas doenças vieram todas “em força” e sem os tais “picos” descritos previamente. Pelo contrário, o que observámos ao longo de todo o ano foi sempre uma mistura de patologias (algo que não acontecia habitualmente), com infeções respiratórias a coexistir com gastroenterites e outros tipos de doenças, durante todos os meses. Aliás, não houve um único mês em que não tivessem surgido bebés com bronquiolite, por exemplo, o que era impensável até ao ano passado, uma vez que entre Junho e Novembro não víamos casos desses.

A explicação mais imediata é que o sistema imunitário das crianças ficou mais debilitado pela falta de contacto com os microorganismos, mas, apesar de isso até poder ser verdade, não seria uma causa suficiente para esta mudança tão abrupta na epidemiologia das nossas doenças habituais. Aquilo que me parece é que, neste ano, nós perdemos mesmo a “sazonalidade infecciosa” que nos caraterizava na nossa prática clínica. E, no meu entender, o que se passou foi simples: os microorganismos deixaram de circular e foram ficando nos locais onde estavam, adaptando-se às condições exteriores. Por isso é que tivemos muitas doenças “de inverno” a surgir no verão. E isso foi um fenómeno global, à escala planetária!

Em Portugal, na zona de Aveiro, assistimos a um fenómeno parecido com as cegonhas nos últimos anos. Tradicionalmente, as cegonhas permaneciam nessas zonas na primavera e verão, migrando para locais mais quentes no inverno. No entanto, foram-se adaptando de forma progressiva e, agora, habitam aí durante todo o ano. E, com os microorganismos, considero

que foi exatamente isso que se passou este ano. Será que esta realidade veio para ficar, tal como as cegonhas ou, pelo contrário, vai regressar à normalidade nos próximos tempos?

Esta é uma verdadeira incógnita é só mesmo tempo irá dar essa resposta. Veremos o que, mais uma vez, nos reserva a natureza… Até porque, como disse uma vez um famoso jogador, “prognósticos só no fim do jogo”!

Fiquem bem e… até à próxima! ☺️

Nota: Esta teoria é pessoal e a minha interpretação do momento que estamos a viver. Se é absolutamente verdadeira não sei, mas a mim faz-me sentido e, por isso, eu acredito nela! ?

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Hugo Rodrigues

Sou Pediatra na Unidade Local de Saúde do Alto Minho, em Viana do Castelo. Sou também docente na Escola de Medicina da Universidade do Minho e formador pelo European Ressuscitation Council na área de Emergências Pediátricas. Participo regularmente nos programas “A Tarde é Sua” da TVI e “Filhos e Cadilhos” do Porto Canal e escrevo também para a Revista Saúda, para o site da Revista Visão e para a plataforma Simply Flow – by Fátima Lopes. Colaboro ainda, pontualmente, com outros meios de Comunicação Social e sou autor dos livros “Pediatra para todos”, “Primeiros Socorros – Bebés e Crianças” e o mais recente livro "O Livro do seu Bebé".

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